Edição de quarta-feira, 24 de junho de 2026
§ Tecnologia & IA

SOLIDWORKS 2026: a IA muda o fluxo de projeto

SOLIDWORKS 2026 chega com IA dentro do CAD, companheiros virtuais Aura, Leo e Marie e integração mais profunda com a plataforma 3DEXPERIENCE.

SOLIDWORKS 2026: a IA muda o fluxo de projeto

A versão que tira tarefa repetitiva do projetista

A Dassault Systèmes liberou a disponibilidade geral do SOLIDWORKS 2026 com uma promessa direta: devolver ao engenheiro o tempo que ele perde criando geometria repetida, estruturando montagem e anotando desenho. A empresa fala em centenas de melhorias espalhadas por projeto, simulação, elétrica e gestão de dados, mas o eixo que muda mesmo o fluxo de trabalho é a entrada da inteligência artificial dentro do CAD, somada a uma integração mais profunda com a plataforma 3DEXPERIENCE.

Não é uma atualização cosmética. É a tentativa da Dassault de posicionar a base de milhões de usuários do SOLIDWORKS para o que ela chama de “economia generativa”, em que parte do trabalho de modelagem deixa de ser manual e passa a ser orientada por agentes.

IA dentro do CAD: dos comandos aos companheiros virtuais

O SOLIDWORKS 2026 traz IA em dois níveis. O primeiro é prático e já roda na versão desktop: a geração assistida de desenhos. O software passa a montar vistas padrão, chamadas de furo, cotagem, seleção de formato de folha e escala de forma automática. Há ainda o recurso Auto-Generate Drawings, ainda em beta, que produz pranchas com vistas, cortes, dimensões e lista de materiais a partir do modelo.

O segundo nível é o mais comentado e veio do 3DEXPERIENCE World 2026, realizado em fevereiro: os SOLIDWORKS AI Virtual Companions. São agentes de IA que vivem conectados à plataforma e foram pensados para assumir tarefas que consomem horas do projetista.

Aura, Leo e Marie

São três companheiros virtuais, cada um com uma especialidade:

  • Aura — o copiloto lançado já em 2025, focado em conectar o usuário ao conhecimento. Entende o acervo e o know-how da própria empresa e também consulta conhecimento da web para inspirar e guiar o desenvolvimento de produto.
  • Leo — o companheiro de engenharia, obcecado por validação, manufatura e integridade do sistema. Especializado em projeto mecânico e simulação, ele gera estruturas de montagem, converte imagem em malha, adiciona features paramétricas a arquivos STEP, roda estudos de simulação, avalia montagens e resolve erros de projeto.
  • Marie — voltada a materiais, química e ciência, com perfil de pesquisa científica para apoiar decisões de material e hipóteses de engenharia.

A entrega é faseada. Aura já está em campo, Leo tem lançamento previsto para meados de 2026 e Marie chega ainda neste ano. Vale a leitura atenta de quem espera milagre: são assistentes que aceleram etapas específicas, não um substituto do projetista.

O motor por trás: Mistral AI em nuvem soberana

Aqui mora uma decisão estratégica relevante para quem trabalha com dados sensíveis. Os companheiros de “IA Industrial” rodam sobre o modelo fundacional da Mistral AI, hospedado na nuvem OUTSCALE, da própria Dassault. A aposta é entregar modelos de alto desempenho dentro de padrões rígidos de confidencialidade e segurança, com forte apelo de soberania de dados, em vez de despejar a propriedade intelectual de projeto em uma nuvem genérica de terceiros.

Para a indústria que ainda resiste à IA por medo de vazar segredo de projeto, esse desenho de nuvem soberana europeia é o argumento central da Dassault.

O 3DEXPERIENCE deixou de ser opcional no discurso

A novidade de IA mais ambiciosa não vive no desktop isolado: ela depende da conexão com a plataforma 3DEXPERIENCE. Para usar os Virtual Companions, o usuário ativa o SOLIDWORKS Design com os serviços de nuvem, e é a plataforma que dá o lastro de dados, colaboração e processamento.

Essa amarração aparece também no trabalho cotidiano com grandes montagens. O SOLIDWORKS 2026 permite abrir seletivamente partes da estrutura de projeto a partir da 3DEXPERIENCE. O projetista salva um filtro, reabre depois e carrega só os componentes que precisa, o que reduz tempo de abertura e libera vários engenheiros para trabalhar na mesma montagem grande ao mesmo tempo.

Outro ponto de integração são as listas de corte gerenciadas, que passam a unir a lista de materiais de engenharia e a de manufatura dentro da plataforma. É o tipo de costura que aproxima projeto e chão de fábrica, alvo histórico da Dassault.

O que muda no dia a dia de quem modela

Tirando os holofotes da IA, boa parte das melhorias responde a pedidos antigos de produtividade. As que mais alteram o fluxo de projeto:

  • Montagens grandes mais leves: o carregamento seletivo abre só o que importa, a visualização de relacionamento entre componentes com filtros avançados ajuda a isolar trechos do projeto, e mudanças cosméticas deixam de disparar rebuild.
  • Fixadores automáticos: o software reconhece componentes que parecem parafusos, porcas e arruelas e os posiciona e relaciona sozinho, com arrastar e soltar mais inteligente, sem depender do Toolbox.
  • Importação em segundo plano: arquivos grandes abrem em background, sem travar a estação de trabalho.
  • Peças e chapa metálica: a opção Split Configurations processa várias configurações ao mesmo tempo e atualiza referências em montagens de nível superior; chapa metálica ganha flanges com offset e quebras de canto rápidas.
  • Usabilidade: modo offline automático para não interromper o trabalho na queda de conexão, destaque dos comandos mais usados para orientar iniciantes e busca de comandos com palavras-chave personalizáveis.
  • Módulo BIM: integra Building Information Modeling ao fluxo de desenho 2D, importando arquivos RVT e IFC, um aceno ao mundo AEC.

Cloud padrão e a estratégia de fundo

Um detalhe estrutural merece atenção: a tecnologia de nuvem passa a vir de fábrica em todos os níveis de licença, com a 3DEXPERIENCE energizando toda a funcionalidade na nuvem. Na prática, a Dassault está empurrando, de forma suave mas consistente, a base do SOLIDWORKS para dentro da plataforma. Quem ficar só no desktop tradicional continua trabalhando, mas vai assistir as funções mais novas, sobretudo os agentes de IA, nascerem do lado conectado.

O recado para 2026 é claro. O SOLIDWORKS 2026 não reinventa o modelador paramétrico que o mercado conhece há três décadas. Ele transfere parte do trabalho braçal de desenho e montagem para a automação e a IA, e usa a 3DEXPERIENCE como cola entre projeto, simulação, materiais e fabricação.

Para o engenheiro brasileiro, a pergunta prática deixa de ser “o que tem de novo no menu” e passa a ser “quanto do meu fluxo eu quero levar para a nuvem”. Os companheiros virtuais chegam ao longo do ano, e o ganho de tempo prometido depende justamente desse passo. Vale acompanhar de perto como Leo e Marie chegam ao mercado e medir, no projeto real, se a automação entrega o tempo que diz devolver.

Redação BDE

§ Perguntas frequentes
O que muda no SOLIDWORKS 2026?

A principal mudança é a entrada da IA dentro do CAD para automatizar geometria repetida, montagens e anotação, além de integração mais profunda com a 3DEXPERIENCE.

A IA do SOLIDWORKS substitui o projetista?

Não. Ela remove a tarefa repetitiva para o engenheiro focar em decisão de projeto e simulação.

Vale a pena atualizar?

Sim para quem trabalha com montagens e anotação intensivas; recomenda-se validar a compatibilidade dos add-ins antes da migração.

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