Edição de quarta-feira, 24 de junho de 2026
§ Tecnologia & IA

Nvidia prepara até US$ 250 bilhões para a OpenAI construir um data center de 10 GW — quase uma Itaipu inteira

Aporte discutido entre as duas empresas banca um complexo em Ohio cuja demanda elétrica equivale a 70% da maior hidrelétrica do Brasil.

Nvidia prepara até US$ 250 bilhões para a OpenAI construir um data center de 10 GW — quase uma Itaipu inteira

A Nvidia negocia oferecer até US$ 250 bilhões em suporte financeiro à OpenAI para viabilizar um complexo de data centers de 10 gigawatts no sul de Ohio, nos Estados Unidos — a informação foi publicada pelo Wall Street Journal em 26 de julho e confirmada pela Reuters. Para dar escala: 10 GW correspondem a cerca de 70% da capacidade instalada de Itaipu (14 GW), a segunda maior hidrelétrica do mundo.

Em resumo

  • Aporte em discussão: até US$ 250 bilhões da Nvidia para a infraestrutura da OpenAI (WSJ/Reuters, 26/07);
  • Projeto: complexo de 10 GW em Ohio, com custo total que pode passar de US$ 500 bilhões incluindo os chips;
  • Primeira fase: 800 MW em operação até 2028 — energia equivalente ao consumo de 640 mil residências;
  • É a continuação da parceria anunciada em 2025, que já previa US$ 100 bilhões e 10 GW de data centers.

Por que um data center precisa de 10 GW?

Treinar e rodar modelos de IA de fronteira virou, na prática, um problema de engenharia elétrica e civil. Um rack moderno de GPUs Blackwell consome dezenas de quilowatts; um campus de IA em escala de gigawatt exige subestações dedicadas, linhas de transmissão novas, refrigeração líquida em loop e obras que se comparam às de uma usina. Segundo a CNBC, a primeira fase de 800 MW já depende de coordenação direta com o operador da rede local — o gargalo deixou de ser o chip e passou a ser o megawatt disponível.

Quanto isso movimenta na construção?

O pacote coloca a Nvidia como financiadora da própria demanda: os US$ 250 bilhões funcionam como garantia para que a OpenAI contrate obras, energia e equipamentos — dos quais boa parte volta para a Nvidia em forma de pedidos de GPU. O mercado de data centers já vinha aquecido: aquisições bilionárias nos EUA e projetos como o campus de 300 MW da BCE no Canadá mostram a corrida — que agora muda de ordem de grandeza.

E a engenharia brasileira?

O Brasil aparece nesse mapa por um motivo: energia firme e renovável de sobra. Data centers de IA buscam exatamente o que o sistema brasileiro tem — hidrelétricas, vento e sol com custo competitivo. Para engenheiros eletricistas, civis e de automação, a onda de IA está virando obra: subestação, fundação pesada, refrigeração e integração de rede. Quem entende a lógica das “AI factories” sai na frente.

Fontes: Wall Street Journal, Reuters, CNBC, Al Jazeera.

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