Pela primeira vez na história, a energia solar gerou mais eletricidade que o carvão nos EUA — e foi só um dos 6 recordes do semestre
Na Califórnia, o sol chegou a cobrir 72% da demanda; as baterias já descarregam quase 13 GW no pico. O 1º semestre de 2026 reescreveu a régua da transição.
Em maio de 2026, a geração solar mensal superou a geração a carvão nos Estados Unidos pela primeira vez na história — um marco entre os seis recordes que solar e armazenamento quebraram no primeiro semestre, segundo levantamento da Renewable Energy Magazine. No dia 10 de julho, a rede da Califórnia recebeu 23 GW de geração solar, cobrindo 72% da demanda regional.
Em resumo
- Maio/2026: solar supera carvão na geração mensal dos EUA pela 1ª vez;
- Califórnia: 23 GW solares em 10/07 (72% da demanda) — terceiro recorde quebrado desde 1º de junho; no Texas, o ERCOT registrou 35,4 GW;
- Baterias: descarga recorde de 12,99 GW na Califórnia (36% da demanda no pico) e marca de 100 GWh instalados no país;
- Eólica + solar responderam por 96% de toda a capacidade nova conectada — o maior percentual já registrado.
O que mudou na engenharia do sistema?
O recorde não é só de painel — é de bateria. Descarregar 13 GW no horário de ponta significa que o armazenamento virou usina despachável: inversores grid-forming, controle de frequência e proteção de rede são o novo centro do projeto elétrico. O desafio de intermitência que definiu a década passada está sendo resolvido com engenharia de potência, não com termelétrica de backup.
E o Brasil nessa corrida?
O Brasil já tem uma das matrizes mais renováveis do mundo, mas o gargalo é parecido: armazenamento e transmissão. O boom de solar distribuída brasileiro precisa da mesma infraestrutura de baterias que os EUA estão instalando — e projetos como o plano britânico de £15 bilhões para solar residencial mostram que a corrida é global. Para o engenheiro eletricista, a fronteira é clara: quem sabe dimensionar BESS (sistemas de armazenamento por bateria) tem mercado garantido pela próxima década — no chão e até em órbita.
Fontes: Renewable Energy Magazine, EIA, CAISO, ERCOT.