A China ligou a guerra dos carregadores de 1,5 megawatt — e a recarga virou disputa de engenharia pesada
Dongfeng apresentou protótipo que iguala o pico da BYD; com 7.000 estações de recarga ultrarrápida já instaladas, a corrida agora é por potência de subestação.
A Dongfeng Motor apresentou em 29 de julho um protótipo de carregador de 1.500 kW — 1,5 megawatt, potência que iguala a especificação de pico da BYD e coloca mais um gigante chinês na corrida da recarga ultrarrápida, segundo o TechTimes. Para dar escala: 1,5 MW equivale a cerca de 300 chuveiros elétricos ligados ao mesmo tempo, despejados em um único carro.
Em resumo
- Dongfeng revelou protótipo de 1.500 kW em 29/07, com eletrônica de carbeto de silício (SiC) e baterias-buffer para não derrubar a rede;
- A BYD já opera mais de 7.000 estações de “Flash Charging” na China e mira 20.000 até o fim de 2026, mais 6.000 fora do país;
- Nos EUA, o mais rápido anunciado é o ChargePoint Express Solo, de 600 kW;
- A norma IEC TS 63379, publicada em fevereiro, padronizou conectores e cabos para recarga em megawatt.
Por que 1,5 MW é um problema de engenharia elétrica?
Nenhum poste de rua entrega 1,5 MW. Um carregador dessa classe pede transformador dedicado, eletrônica de potência em SiC para reduzir perdas e — a parte mais interessante do projeto da Dongfeng — baterias-buffer que se carregam devagar na rede e descarregam rápido no carro, funcionando como amortecedor entre a concessionária e o plugue. É o mesmo princípio que os sistemas de armazenamento estão cumprindo na rede elétrica em escala de usina. Detalhe honesto: nenhum carro de produção da Dongfeng aceita essa potência hoje — o carregador é aposta de infraestrutura à frente da frota.
E o Brasil nessa corrida?
Enquanto a China disputa o megawatt, a recarga rápida brasileira ainda briga pelos 150 kW — e o gargalo é o mesmo: rede e subestação, não o plugue. A boa notícia é que a tecnologia chega junto com as montadoras chinesas que se instalaram no país: a CATL já apresentou suas tecnologias para o mercado brasileiro, e a China planeja 5.000 estações V2G até 2027 — o mapa do que vem para cá.
Fontes: TechTimes, BYD, ChargePoint, IEC.