Um túnel de 1873 ainda estrangula a costa leste dos EUA — e a Amtrak vai gastar US$ 6 bilhões para aposentá-lo
Substituição do túnel B&P, em Baltimore, é o maior investimento único da história da empresa: dois túneis novos eletrificados, estação acessível e 16 km de upgrades.
O túnel Baltimore & Potomac, em operação desde 1873, é o gargalo ferroviário mais congestionado ao sul de Nova Jersey — e a Amtrak confirmou em julho o avanço das obras do programa de substituição, de US$ 6 bilhões, o maior investimento único em infraestrutura da história da companhia, segundo a Construction Dive e o comunicado oficial da empresa.
Em resumo
- O túnel B&P tem 153 anos e limita trens a velocidades de bonde num dos trechos mais movimentados dos EUA;
- Programa de US$ 6 bilhões: dois túneis novos eletrificados para trens da Amtrak e do MARC;
- Inclui nova estação acessível em West Baltimore e cerca de 16 km de melhorias em via, pontes e ruas do entorno;
- A escavação principal está prestes a começar, com otimizações de projeto em coordenação com a agência ferroviária federal (FRA).
Como se substitui um túnel sem parar a ferrovia?
Essa é a parte que interessa à engenharia: o B&P não pode fechar. A solução é clássica e brutal ao mesmo tempo — construir o novo alinhamento ao lado, com tuneladoras e NATM nos trechos de rocha alterada, manter a operação no túnel velho até o comissionamento e só então migrar. O desafio extra é urbano: a escavação passa sob bairros consolidados de Baltimore, o que exige monitoramento de recalque em tempo real, como em toda grande obra subterrânea metropolitana.
Qual é o paralelo brasileiro?
O Brasil conhece bem o custo de adiar: boa parte da malha ferroviária e dos túneis urbanos nacionais também é centenária. A diferença é que os EUA decidiram pagar a conta — US$ 6 bi para um único gargalo. Baltimore, aliás, virou estudo de caso de renovação de infraestrutura: além do túnel, a cidade inaugurou uma ponte de 3,2 km projetada para durar um século. Enquanto isso, a China mostra a régua do que é possível em obras ferroviárias de alta velocidade — e a carteira brasileira de R$ 265 bi em leilões decide agora de que lado dessa régua o país vai ficar.
Fontes: Amtrak, Construction Dive, Federal Railroad Administration.